A Pesquisa

Como implementar a consideração pela diversidade étnico-racial no estudo de Humanidades do ensino médio integrado ao técnico?

A partir desse questionamento realizamos um processo participativo e construção coletiva de uma estratégia de ensino que integre a consideração pela diversidade étnico-racial e os princípios educativos da EPT.

Ao nos depararmos com o desafio da consideração pela diversidade étnico racial no contexto da educação profissional e tecnológica, optamos por caminhos epistemológicos e metodologias decoloniais, isto é, que se pautam na crítica ao colonialismo eurocêntrico e no reconhecimento dos povos subalternizados como sujeitos do saber e produtores do conhecimento. Por isso, optamos por desenvolver uma pesquisa participante, isto é, um tipo de pesquisa no qual se realiza a construção coletiva de conhecimento social, para atender a um desafio específico da comunidade, relevante para os envolvidos e com potencial emancipatório (BRANDÃO & STRECK, 2006, p. 29).

Ao mesmo tempo, ao assumir o paradigma epistemológico da pluriversalidade como referência (RAMOSE, 2011, p.10), nos inserimos na esteira dos estudos que criticam o dogmatismo dos métodos como legitimadores do conhecimento (FEYERABEND, 2011), reconhecendo que uma proposta de pesquisa que pretenda romper com as estruturas coloniais deve assumir diferentes possibilidades metodológicas que se apresentem como auxílio às necessidades e limitações da comunidade de pesquisa (VERRAN, 2001; MASOLO, 2009; NOGUERA e ALVES, 2019).

Os sujeitos da pesquisa foram alunos do Ensino Médio Integrado ao Técnico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia- Campus Calama, que já participavam das atividades do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da unidade de ensino. A pesquisa foi realizada nas instalações do próprio instituto, com o apoio do próprio NEABI-IFRO e também do Grupo de Pesquisas em Temáticas Étnicas na Amazônia- GETEA/IFRO, do qual o professor-pesquisador (Augusto Rodrigues) e a orientadora de pesquisa (Prof. Dra. Lediane Fani Felzke) fazem parte.

Por conta das especifidades de se trabalhar coletivamente, é difícil “prever com precisão os passos a serem seguidos numa pesquisa participante” (GIL, 2002, p.149), desse modo apresentamos as etapas que vivenciamos, inspirados nos passos propostos por Gil (2002) e Brandão e Streck (2006):

1ª Fase- Montagem Institucional e Metodológica da Pesquisa Participante: nessa etapa determinamos as bases teóricas da pesquisa (objetivos, conceitos centrais, hipóteses, etc.), os caminhos para a busca de dados, a delimitação da área de estudo, a identificação dos colaboradores, a distribuição de tarefas, a preparação dos pesquisadores e elaboração do cronograma das atividades a serem realizadas.

2ª Fase- Estudo preliminar da área pesquisada: nessa etapa realizamos a identificação dos planos curriculares e dos conteúdos dispostos e primeiros contatos com os alunos através de quatro rodas de conversas sobre suas vivências de estudo em temáticas afro-brasileiras, africanas e indígenas em sua trajetória formativa no instituto.

3ª Fase- Análise Crítica dos Problemas: a partir das próprias rodas de conversa realizadas com os alunos na 2ª fase identificamos coletivamente que as temáticas acerca da história e cultura afro-brasileiras, africanas e indígenas foram pouco ou nada trabalhadas no decorrer de suas trajetórias formativas no instituto, sendo mais concentradas na Semana dos Povos Indígenas (em abril) Semana da Consciência Negra (em novembro). Percebemos também que quase não conhecíamos pensadoras e pensadores negros ou indígenas, de modo que ainda assumimos o europeu como padrão de construção de conhecimento. A partir dessa análise crítica delimitamos o problema de pesquisa: como implementar a consideração pela diversidade étnico-racial no estudo de Humanidades do Ensino Médio Integrado ao Técnico?

4ª Fase- Elaboração do Plano de Ação: Após definir o problema de pesquisa definimos o plano de ação para construção do produto educacional em algumas etapas:

a) pesquisa bibliográfica por parte dos alunos sobre autoras e autores negros e indígenas que dialoguem com as temáticas propostas para os projetos integradores

b) construção dos projetos a partir das pesquisas e de técnicas pedagógicas recolhidas pelo professor-pesquisador e vivenciadas no grupo de pesquisa (ex. dinâmicas, propostas de atividades, etc.);

c) apresentação e avaliação da proposta dos projetos construídos coletivamente.

d) Construção coletiva deste site como portfólio de pesquisa

5ª Fase: Construção coletiva do produto educacional

6ª fase: Apresentação, Validação do Produto Educacional em Plenário, Avaliação da Experiência de Construção do Produto

7ª fase: Divulgação dos resultados de pesquisa e do produto educacional através do site.

Foto de Capa: Saulo de Sousa

O trabalho Site Pluriverso: Estratégia de Ensino de Augusto Rodrigues de Sousa e Lediane Fani Felzke (org.) está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Sujeitos da pesquisa:

Augusto Rodrigues de Sousa (org.)

Dra. Lediane Fani Felzke (orientadora)

Ana Alexandrina Silva Pinheiro

Caliel Ritse de Almeida Silva

Danielle Menezes Marielle

Gabriele Matos do Vale

Jeanderson Ferreira dos Santos

Jorge Henrique Magno Barbosa

José Gabriel Soares de Oliveira

Karen Emanuelly Ribeiro Raimundi

Larissa do Nascimento Macedo

Levir Pereira do Nascimento

Luís Felipe Ferreira da Silva

Matheus da Silva Costa

Rebeca Lopes Freitas

Rian Guilherme Braga de Lima

Tamíris da Silva Borba

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